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segunda-feira, 6 de janeiro de 2025

Escafism - vocalista faz balanço da "Spreading the Pain Tour"



A Escafism, banda amazonense de slamming brutal death, encerrou em dezembro a "Spreading The Pain", uma tour de 12 datas com início em Manaus, passagens por São Paulo e três gigs no Chile.


A maratona teve início no dia 10 de novembro, na Confrahell, ainda em Manaus. No dia 29, a Escafism desembarcou em São Paulo para um show. Depois segiu para cidades do interior deste estado, fazendo Itapetininga (30/11), Bauru (01/12), Osasco (05/12), Itu (06/12), Várzea Paulista (07/12) e Diadema (08/12), onde tocou no Masters of Noise Extreme Music Fest. 

A Escafism tocou ainda em terras chilenas, devastando Santiago, Concepción e novamente Santiago, nos dias 13, 14 e 15/12, respectivamente. Na volta para casa a Escafism fechou a tour no 1° Tartária Metal Fest (21/12).




Após um breve descanso, Júnior Martins, vocalista da Escafism, procurou o Riffmakers para contar detalhes da tour, o que inclui perrengues financeiros, boa receptividade do público e até mesmo um terremoto no Chile.

O Riffmakers topou a proposta e abaixo o leitor pode conferir o relato, em primeira pessoa de Júnior sobre a "Spreading the Pain Tour", concluída com êxito junto aos companheiros de banda Neoman Grinder (baixo), Anderson Souza (guitarra) e Sid Lima (bateria). Confira.


Primeira etapa da tour e primeiros apertos 


"A tour rolou com muita dificuldade. Especialmente a parte logística da primeira etapa em São Paulo. Os pedágios, mais a logística (transporte e alimentação, por exemplo) levavam todo o cachê. Mas em relação aos shows, em todos fomos muito bem recebidos e elogiados, por sermos de Manaus e tocarmos nosso death metal técnico. Foi um intercâmbio e network muito interessante, gerando interesse de selos, produtores e casas de show."

"Tivemos shows lotados, com exceção de um, que por ser realizado num domingo, teve um público baixo. Só agradecemos a quem foi aos eventos. Agradecemos ao amigo Wendel Marinho que nos abrigou por três semanas nessa primeira etapa da Spreading the Pain Tour. Sem esse apoio seria quase impossível."


Desembarque no Chile: frio e terremoto 


"Chegamos ao Chile, com nossos próprios recursos, dois dias antes da primeira gig. Com a moeda local tendo o mesmo valor que o dólar, as dificuldades foram imensas."



"Ainda antes do primeiro show, na última sexta-feira 13 do ano, estávamos no hotel, no quinto andar, quando houve um terremoto na capital chilena. Foi uma surpresa agoniante, nunca havíamos passado por isso, nem por nada parecido. Havia gritaria nas ruas e a gente, que estava deitado, levantou sem saber o que fazer enquanto o edifício balançava. Mas não foi nada grave."


"Fomos até o La Comarca, a casa onde rolou o show. Fomos muito bem recebidos pela Carolina Marin (produtora do evento), pelas bandas e pelo público."



"O público gritava Brasil e Escafism em apoio a banda. Isso foi mágico, pois eles nunca haviam visto a Escafism e muitos nem haviam ouvido. Isso deu força para continuarmos, já que ainda havia um show em Concepción e outro de retorno em Santiago."

"Encaramos uma temperatura baixíssima na etapa chilena da tour, sendo Concepción a mais extrema. Lá fomos recebidos por Evelyn. Assim como ela, Carolina, em Santiago, honraram o acordo que fizemos antes da tour, então só cabia à Escafism executar o seu melhor, o que fizemos e pôde ser comprado pela reação do público."


Conterrâneos acompanhando a tour 


"Em São Paulo encontramos alguns amazonenses, isso foi muito motivador. No Chile, conhecemos Max e sua esposa Marja, que saíram do Amazonas para nos ver. Eles nos deram uma força imensa e por eles teremos uma gratidão eterna."



"Não foi fácil sair do Amazonas para esse rolê. Foi muito difícil, mesmo. Principalmente quanto à parte financeira, mas conseguimos com o apoio dos produtores, amigos e público."


Quebrando tudo em SP


"Em SP, os agradecimentos vão, sobretudo, ao Ephrain da Antroforce. Um apoio que nos deu força para prepararmos outra tour. Estamos analisando essa proposta e logo faremos o anúncio."

"Ainda em SP, em Diadema, fizemos o Masters Of Noise. Organização nota 10. Fomos a penúltima banda do primeiro dia de festival, mas o público não arredou o pé e ficou para ver a Escafism. Lá também encontramos conterrâneos e deixamos nossa marca no evento e construímos um bom network."



"Não podemos deixar passar a lembrança do show em Itapetininga (SP), o primeiro dessa etapa, onde tocamos com o Vulture e fomos hospedados na casa do Adauto Xavier, vocalista da banda. Foi suporte total para um evento magnífico."



Saldo da Spreading the Pain Tour 


"Em resumo, fomos muito bem recebidos e elogiados por nossa postura, como pessoas e como banda. Parcerias foram estreitadas, para muitos foi o primeiro contato com a Escafism e quem já conhecia pôde ver ao vivo o que imaginava ser um show nosso. Pelo feedback recebido, acho que cumprimos as expectativas."


XXX

Para quem está tendo o primeiro contato ou quem já aprecia a Escafism, sugiro que sigam os caras nas redes sociais, assistam os vídeos, ouçam os álbuns e adquiram o merch da banda. É com esse apoio que o underground sobrevive. APOIE SEMPRE!


*por Artur Mamede 

APOIE O RIFFMAKERS 




quinta-feira, 16 de maio de 2024

"Não Sinta Medo" gritam os Rejeitados Pelo Diabo

Rejeitados Pelo Diabo, banda de horror punk/hc fundada em Tefé, interior do Amazonas, crava mais um prego no que vai vir a ser seu novo EP. A faixa "Não Sinta Medo" foi lançada na última quarta-feira (15) e disponibilizada no YT da banda 


Mais uma vez de forma 100% independente e FVM (Faça Você Mesmo) a Rejeitados Pelo Diabo responde por toda a produção e divulgação do single, a exemplo de outros trabalhos, como a faixa "Rejeitados" lançada a uma semana 


Não Sinta Medo 

A faixa mostra a banda mais furiosa e até mais coesa, e a produção, mesmo que "caseira" ajudou muito nisso. Tá tudo mais audível, mais bem definido.

A letra, que tem um "jeito Cólera" de se expressar ganha mais força com o instrumental que as vezes tende ao crossover. O uso de backing vocals (alguns bem cavernosos) e um refrão simples e direto colocam a música pra cima, já entre as melhores resenhadas aqui.

Aqui está "Não Sinta Medo". Acesse e ouça ALTO!

Em estúdio 

Assim como "Rejeitados" e "Não Sinta Medo" as outras faixas do futuro EP da banda estão sendo gravadas, produzidas e editadas de forma caseira, com uso do "estúdio celular". Tudo é registrado em um smartphone e editado com um app próprio para a função.





Atualmente com Marcão (baixo/backing vocal), Joe; e Márcio (guitarras), Divide (bateria) e Amorim (vocal), a Rejeitados Pelo Diabo tem 11 músicas já compostas e seis dessas em produção para o EP, ainda sem título, que contará com a Candiru Records como parceira na distribuição digital.

*por Artur Mamede 






quarta-feira, 8 de maio de 2024

Rejeitados Pelo Diabo rompe isolamento com novo single

Rejeitados Pelo Diabo é uma banda de hardcore surgida em 2018 na cidade amazonense de Tefé (aproximadamente 520 quilômetros distante de Manaus, ou mais de 12 horas de barco), que desde seu surgimento berra para diminuir esse isolamento.


Uma das formas que a Rejeitados Pelo Diabo tem de chamar a atenção para o trabalho produzido longe dos grandes centros, são os vídeos e singles lançados no YT e gigs na cidade natal e Manaus, eventos que ainda são caros para realizar.


Rejeitados Pelo Diabo no palco


O single "Rejeitados" foi a mais recente proposta da banda. Lançada no 1° de maio, a faixa é um hardcore veloz, de letra simples porém direta, assim como foi a gravação da mesma. 

Leia também:  Endrah divulga arte de "Bloodshed and Violence"

A entrevista 

O blog Riffmakers conversou com Amorim, fundador e vocalista da Rejeitados Pelo Diabo para saber mais sobre o árduo trabalho de se fazer ouvir de tão longe. Confira.

Riffmakers - Queria uma breve biografia da Rejeitados Pelo Diabo para o leitor ir se habituando à trajetória da banda.

Amorim: A Rejeitados nasceu de conversas minhas com o outro fundador, Márcio Augusto, guitarrista. A ideia inicial era tocar covers de clássicos do punk/HC e logo criar músicas que fossem voltadas a temática do estilo.

Se uniram a esse núcleo Jeco (baixo) e Kenesson (bateria), para executar um hardcore raivoso e enérgico, com letras voltadas para a velha crítica social, o embate contra a alienação das massas, pela elevação do ceticismo e abordando o horror punk nas composições. 

Riffmakers : Apresentações feitas, vamos falar sobre o single 'Rejeitados'. Tudo é intencional. O que a Rejeitados queria com a divulgação do single?

Amorim: Certamente tem suas intenções. Apesar de estarmos longe do grande centro (capital), vamos produzindo de forma sintética e com poucos recursos. Esse single traduz a mensagem da banda, uma proposta à reflexão.

A letra versa sobre as imposições de um falso moralismo que se instalou no país nos últimos anos com bastante ênfase. Mas ao contrário do que os hipócritas pensam, os 'rejeitados' sabem muito bem 'o que você esconde'. É um grito libertário, um alerta ceticista de revolta e resistência.

Riffmakers: Sobre a produção. O que se ouve é algo bem simples, como o que se ouvia nas produções primitivas. A energia também é a mesma. 

Amorim: Esse single foi produzido pelo meu filho, hoje assumindo a guitarra da banda, e sintetizado através de um smartphone com um app bem simples. É o que temos para produzir e resolvemos registrar mais um single. Já temos outros em produção.

Riffmakers: Essa era a próxima. Tem material novo chegando?

Amorim: Estamos produzindo em casa, na garagem. Bem longe de estúdios. Como temos bastante músicas, precisamos ter um registro delas e também ajuda muito no cenário com a divulgação.

Riffmakers:  Qual o peso da internet pra quem mora distante (o Amazonas inteiro é distante) e produz música independente?

Amorim: A midia social é o principal propulsor pra nós desse imenso estado verde. Temos uma página da banda no qual divulgamos algo atrelado a cena local e a pouco tempo criamos um canal no YouTube também. E é isso. Ouçam a Rejeitados Pelo Diabo.

Ouça "Rejeitados" clicando AQUI.

*por Artur Mamede 




segunda-feira, 6 de julho de 2020

Do interior do Amazonas, a Candiru luta contra o isolamento

Formação da Candiru antes da pandemia

*por Artur Mamede 

A pandemia do corona parou o mundo. Já sabemos. Agora tente avaliar os impactos  no setor cultural brasileiro (desprezado pelo Executivo nacional e seus secretários descartáveis) e na música underground. Imagine os efeitos disso tudo para uma banda de thrash/crossover formada no interior do Amazonas.

Originária de Tefé, cidade de aproximadamente 60 mil habitantes  (IBGE, 2019) distante 522 km de Manaus, a Candiru exemplifica as dificuldades de se  manter na atividade fazendo música pesada no Brasil. A banda completa seu primeiro ano de atividades em isolamento e teve  mudanças na formação e casos de Covid-19 entre seus integrantes. 

O Riffmakers falou com Felipe Hüffner, guitarrista fundador da Candiru sobre isolamento, plataformas de divulgação e planos.

Riffmakers: A banda completa um ano no Dia Mundial do Rock. O isolamento mudou os planos do aniversário. Como a Candiru vai passar a data?

Felipe Hüffner: Planejávamos comemorar esse primeiro ano tocando no Dia Mundial do Rock, aqui em Tefé. Esse ano o evento será no formato 'live', uma transmissão ao vivo da prefeitura daqui. Como estamos em recuperação do covid e também em preparação de novas músicas, optamos  por, até  por sermos independentes, uma transmissão exclusiva da banda. Mas isso fica para agosto.

Riffmakers: Quais as consequências do isolamento social na produção da Candiru, justamente numa época em que a banda agendava eventos na capital e entradas nos estúdios?

FH: O isolamento afetou bastante. Teríamos eventos pra realizar e tudo parou. Contraímos corona e a recuperação foi um tanto demorada, mas também teve seu lado bom, conseguimos produzir em home studio o single de "Curupira" e estaremos lançando ainda em Julho. Só estamos preparando artes e a forma de distribuição do som nas plataformas.

Riffmakers: O underground sempre precisou de si mesmo e de suas redes independentes de comunicação para sobreviver. Em tempos de pandemia e distanciamento social, no caso do Amazonas, distanciamento também geográfico, como a Candiru vê esse network? E o que pode ser aproveitado disso?

FH: Com certeza o network no meio underground tem ajudado bastante a manter as esperanças e a força pelo metal pulsantes, muitos parceiros, tanto pra divulgar nos zines como também distros e produtoras ajudando pra que seja produzido o Urbanoise Zine que é o material que venho produzindo desde agosto do ano passado e que falta muito pouco pra ser impresso. Uma grande conquista pra mim e pra cena Não só local mas nacional, contando com inúmeras bandas de diversos segmentos do underground, do HC ao metal extremo.

Riffmakers: Fale sobre a Candiru, a gênese da banda, composições e planos.

FH: Em um ano a banda mudou não só em sonoridade mas também na sua formação. No inicio era um quarteto formado por integrantes da banda Ventura e um baterista técnico aqui da cidade. Começamos com duas autorais: "Candiru Attack" e "Estouro de Queixada", as duas na pegada thrash crossover influenciado pelo thrash da Bay Area (EUA).

Após essa primeira apresentação em 13 de julho de 2019, a banda sofreu mudanças na formação onde só eu permaneci. Então fiz o convite pra entrada do Angelus Kalliel na bateria e o Marcão no baixo, assim solidificando e compondo novas músicas já numa pegada mais atmosférica com grooves e temas de morte e horror amazônico um som mais  Candiru como gostamos de definir.

E o som permanece mudando. Com a saída do Marcão estamos em Dupla e cada vez mais agressivos nas letras, riffs e cadências. 

"""

A Candiru pode ser  encontrada nas reses sociais, facinho de achar. No link abaixo confira uma versão de "Curupira".


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