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domingo, 4 de agosto de 2024

Coirama - banda amazonense lança primeiro EP


"da revolução das caras celestes" é o primeiro registro oficial de média duração da banda amazonense Coirama. O EP de cinco faixas, lançado nos primeiros dias de agosto, é carregado do bom indie rock com o tempero do prog, grunge, mangue beat e pop rock.


Esse amálgama sonoro pode ser creditado a gênese da Coirama, nascida nas festas da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) no ano de 2013, quando se vivia a ressaca pós-primeira onda do (bom) rock autoral amazonense que trouxe Platinados, Underflow e outras dos 90.

Muitas dessas referências são identificadas no som da Coirama, mas não há ranço saudosista e nem a emulação de um passado que já se faz distante - queiram ou não.

Aqui está "da revolução das caras celestes". Acesse e ouça ALTO!

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Existencialismo pop


Produzido por Ana Paula Mady (do Fubica Home Studio, faixas 2, 4 e 5) e Michel Pereira (Studio Janks, faixas 1 e 3), "da revolução das caras celestes" soa límpido e audível. A produção do EP levou seis meses, e conseguiu captar o que a banda tinha para falar e também o empenho da produção.

As influências declaradas da banda pelo rock dos 90, mangue beat e brega são facilmente reconhecidas nos bons riffs de guitarra e levadas sincopadas e grooveadas de baixo e bateria.

A parte lírica nos devolve ao período de criação da banda e de onde a própria se inspirou, de rimas fáceis e divagações que podem soar adolescentes, mas com uma boa carga de filosofia existencialista despida da tragédia (o existencialismo trágico nem sempre funciona bem na música).

O tal existencialismo também é impresso de forma pictórica na capa do EP, uma criação de Vinícius Yankee, que teve o talento descoberto por Felipe André, professor de Vinícius e vocalista da Coirama.


Capa de "da revolução..." por Vinícius Yankee 


A capa, segundo Felipe, representa “os caras celestes”, uma representação da banda como um sketch feito pelo artista, dando a ideia de elevação e a proximidade com o "divino" ou a "substância". A ilustração pode ser ouvida (abuse da sinestesia) na faixa "salve-se agora ou cálice para sempre" (já entre as preferidas do editor).




Além de Felipe, que também é guitarrista, a Coirama é formada por Cainã Tamer (guitarra, vocais e voz de apoio), Rui Morais (baixo) e Gustavo Alves (bateria).

Procure saber mais sobre a Coirama. O EP e dois singles estão disponíveis em todas as plataformas.


Track list 

1. estátua de vidro 

2. pecado original 

3. mil desculpas 

4. arta

5. salve-se agora ou cálice para sempre 

*por Artur Mamede 



APOIADORES RIFFMAKERS 








sábado, 14 de maio de 2022

Delírio e despertar no pós-post-punk da Poesia Maldita


*por Artur Mamede 

O pós-post-punk da novíssima Poesia Maldita  (Bruno Castro - guitarra e voz, Francisco Chagas - baixo e voz, Ronyveder Costa - bateria) traz (novamente) luz a tradição de Manaus como berço de poesia crua, dos escritores madrugadores aos sirróticos, dos obscuros cantos da Alma  Nômade. 

O trio encapsulou essa urgência poética em "Prólogo", um trabalho de oito faixas produzido, mixado e masterizado por A. P. Mady, também responsável pelo eficiente uso dos teclados e guitarra solo nas faixas "Psicopata" e "Marina". Mady ainda imprime no trabalho a manha de quem faz  muito com pouco, de quem produz, no quarto de casa (a.k.a. Fubica Home Studio), do hardcore a lambada. E assim foi feito na captação de voz e cordas para "Prólogo". Já as batidas básicas e inspiradas de Ronyveder tiveram seu registro no Studio Janks, outro exemplo de dedicação na busca do som mais aproximado da temática da banda.


É rock básico, tem uma leveza pop radiofônica e ainda assim é neo-romântico e trágico tal qual dezenas de bandas "The" dos 80 e 90. A arte da capa de "Prólogo" reúne entidades da poesia simbolista e aos mais empedernidos emparedados no academicismo beletrista pode parecer empáfia de três caras que ousam se sentar sobre ombros de gigantes, mas isso só os faz ter uma visão maior. E "o poeta é um fingidor", então que eles se sintam gigantes também. A poesia é maldita e livre. 

Ouçam "Prólogo" clicando aqui.

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