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quinta-feira, 9 de setembro de 2021

Saúde mental é tema de "Cansado" clip da Eutanase


*por Artur Mamede 

"Cansado" o mais recente clip dos thrashers amazonenses da Eutanase, além de mais uma amostra da rica sonoridade da banda, traz uma carga dramática que se engrandece com o cenário atual de isolamento e desolação. 

A temática "cola" com o isolamento imposto pela pandemia. E alguns takes podem gerar gatilhos. "'Cansado' é um trabalho que partiu de uma série de eventos. É quase uma coletânea de experiências. Neste trabalho de passar as letras para o português, sugeri a banda essa temática durante a gravação. Pelo contexto que vivi e assisti, me pareceu muito natural que o tema da música abordasse esse universo da importância da saúde mental", relatou Thiago Queiroz, guitarrista da Eutanase.

Quanto aos gatilhos, o músico é consciente do peso da mensagem. "O assunto é bem delicado, mas me pareceu bastante necessário. Até mesmo a escolha do nome da musica foi pensado nesse sentido: As vezes você está necessitando trabalhar esses aspectos pessoais, mas trata isso apenas como um cansaço, algo que pode ser remediado com algum atenuador", disse. 

"Hoje vejo a importância que é você colocar pra fora, procurar pessoas para avisar que você não é tão forte assim como parece ser. Acho que é o primeiro passo: estar cansado de esquecer e de ceder. Hoje o mundo vive nos estimulando com as redes sociais, mas essa distância fez também com que tivéssemos poucas válvulas de escape para descarregar esses sentimentos. Apesar de próximos e conectados, o índice de suicídios só vem aumentando e, curiosamente, ele vem de lugares cheios de sorrisos e vidas aparentemente impecáveis", complementa Queiroz.

Segundo o guitarrista "Cansado" fala da importância de discutir saúde mental e de refletir sobre nosso estilo de vida. "Acredito que todo mundo sairá dessa pandemia um pouco quebrado, mas essa talvez seja a oportunidade para avaliar que, como dissemos no clipe: sem saúde mental não há saúde".

Curta-metragem 

Enredo, roteiro, locações e até mesmo a duração  (acima do comum para clips de bandas  independentes) fazem com que "Cansado" seja uma experiência cinematográfica, como um curta-metragem. Apesar das dificuldades, o resultado foi satisfatório, conta o músico. 

"A ideia era ser um curta. Mas sabíamos do enorme trabalho que daria. A música ficou pronta no começo do ano. Mas não havia porque ter pressa, já que tudo estava parado mesmo. Precisavamos levantar dinheiro para fazer isso e foi quando veio a ideia de promover uma arte conceitual para vender camisas. A arte foi feita por um desenhista talentosíssimo da cidade, que é o Nilberto. Fizemos uma entrevista com ele no canal da banda. A partir da arte dele é que lançamos a pré venda. Nossa, ficamos surpresos com a quantidade de vendas e foi a partir desse dinheiro que pagamos esses processos de gravação" comentou.

As gravações foram divididas em 3 etapas e muito disso teve o espirito DIY e colaborativo. "Na etapa com a banda, contamos com o apoio do Alex Costa da Numbness, que fez um preço muito camarada pra gente. A locação foi ideia do Fontes (Thiago, vocal da Eutanase). Achamos o lugar perfeito. Até porque estávamos em tempo de chuva e Manaus é extremamente bipolar".

Eutanase na locação de "Cansado"

A segunda etapa foi fazer o vídeo da ponte. "Em Manaus todos sabem da relação simbólica que há dela com o tema. Nesse dia o tempo estava bem nublado e o Diego Nogueira  (filmagens e fotografia) conseguiu pegar takes ótimos. A sacada dele dos dois pássaros no final foi genial. Precisei incluir", conta Queiroz.

"Por fim, finalizamos as filmagens internas aqui em casa, pois tinha o piano e as cavernas do Bunker (o home studio da banda) Foi um aprendizado enorme todo esse processo e espero que todos curtam. Foi feito com muito cuidado e tentando oferecer o melhor que pudemos".

Thiago Fontes: atuação surpreendente

A atuação de Fontes foi uma descoberta até para a Euranase, explica Queiroz.. "Recentemente cheguei a perguntar a ele sobre essa característica cênica e o porque de não investir nisso. Fico feliz que ele gosta de participar e ver que ele se entrega mesmo. Há muitas filmagens que ainda vamos soltar. Quando definimos o storyboard em reunião, por causa de 'Veneno' (clipe anterior), decidimos mante-lo. Mas as ideias que foram surgindo levaram a demanda por mostrar também o outro lado. Foi quando chegamos no nome da Areli (que também protagoniza "Cansado"). Por várias conversas que tivemos, eu percebi o perfil. Ela já vem trabalhando bastante isso em nível pessoal e assim fiz o convite. Foi uma surpresa igual. Lembro durante a gravação que falamos 'nossa, acho que acertamos, oh!' Eu fiquei muito feliz com resultado de ambos e os outros materiais vão sair com o tempo. Há um projeto pra eles. Os feedbacks sobre a atuação deles estão excelentes. Também agradecer aqui ao Diego Nogueira.. Ele é um cara com muitas sacadas ótimas. Fez toda a diferença", finalizou Thiago.

O clipe de "Cansado" pode ser visto clicando aqui.




domingo, 11 de abril de 2021

Ilustrador de "Cansado" é entrevistado no canal da Eutanase

Thiago Queiroz (à dir.) conversa cpm p ilustrador Nilberto Jorge

*por Artur Mamede 

A sempre atuante banda amazonense Eutanase em vias de lançar a faixa "Cansado", levou ao Bunker Studio o ilustrador e designer Nilberto Jorge, responsável pela arte do single. 

O papo rápido, puxado por Thiago Queiroz, guitarrista da Eutanase, revelou detalhes da concepção da obra que também estampa camisetas oficiais da banda.

Arte de "Cansado" por Nilberto Jorge

O tema do single e consequentemente da arte da capa foram as neuroses adquiridas e descobertas durante o isolamento imposto pela pandemia, como explica o designer no vídeo. 

"O conceito todo por trás da criação é que todos os personagens estão representando um sentimento de desespero, ansiedade ... e alguns felizes, maa felizes por fora", disse Nilberto. 

Confira a entrevista completa no canal Eutanase Oficial clicando aqui.


sábado, 29 de agosto de 2020

Eutanase lança projeto "At Bunker" e novo episódio do "Interstate Metal". Confira.

*por Artur Mamede 

A quarentena tem obrigado os produtores e músicos a buscar novas formas de se manter em evidência, não perder a forma e as habilidades.  A amazonense Eutanase em um curto espaço de tempo lançou duas amostras dessa nova proposta, enquanto as apresentações ao vivo não retornam.

At Bunker

No dia 24, Antonio Henn e Thiago Rocha, guitarristas da Eutanase, deram o start a série "Eutanase at Bunker". Nesse episódio os músicos conversam sobre calibragem.dos encordamentos apropriados para a execução de thrash metal e antes que o assunto fique enfadonho para não músicos ou quem só veio pela música, a dupla debulha "D.N.R" do Testament, lancada originalmente no álbum "The Gathering" de 1999 (ouça/veja aqui https://youtu.be/JAZCFkyHw88). O video teve apoio da Star Strings e Robert Lima Tattoo Studio.

Interstate

O outro projeto, Interstate Metal, lançado em julho, ganha um segundo episódio. A ideia é juntar músicos de outros estados para execução de obras que mesmo destoando do que a banda ou convidados tocam usualmente, tenham um ponto de conexão em comum.  
No primeiro episódio, comentado aqui no Riffmakers, a musica foi "Smashed Hammer Face" do Cannibal Corpse, com Flávio Dourado da roraimense Carnívoro como convidado.

Nesta continuação  (veja/ouça https://youtu.be/RrcATTypZjU) a participação foi em dobro. Bruno Souza  (guitarrista, Glory Opera) e William Amorim (baterista, Idus Martii) se uniram remotamente a Thiago Fontes e Duda Ribeiro (vocalista e baixista da Eutanase, respectivamente) para a jam virtual de "Revolution Is My Name" faixa do álbum "Reinventing the Sreel" (2020) do Pantera.

No video, a Eutanase já deixa o convite para o próximo episódio. Assista até o final para saber quem será o convidado.




quinta-feira, 6 de agosto de 2020

Clipe da Eutanase tem impulsionamento barrado. Censura?


*por Artur Mamede 

A amazonense Eutanase lançou no último dia 03 o clipe oficial da faixa "Backstabber", uma versão remixada e remasterizada da mesma de 2019. Um pouco antes do lançamento conversei com Thiago Rocha (guitarrista) e em acordo, decidimos esperar para ver qual a reação da audiência.

Até as 11h dessa quinta-feira  (06) a publicação no YouTube havia atingido 697 views, 164 likes e dois "dislikes. E isso com vários compartilhamentos e até matéria em um jornal de grande circulação. São números modestos que pedem um impulsionamento da publicação para que se atinja um público maior.

E foi ao tentar esse impulsionamento que a Eutanase foi surpreendida por um aviso da plataforma de vídeos (veja foto abaixo) que impede que tal ação seja feita.

A alegação é de que a expressão "bullshit" (asneira, besteira, papo furado) usada   na letra de "Backstabber" é considerada ofensiva pela "Política sobre linguagem ofensiva e gramática." 

O Riffmakers conversou com Thiago sobre o tema. Acompanhe.

Riffmakers: Sabendo que não é pessoal e  nem contra o estilo de música praticado pela Eutanase (jjá limando conspiracionistas e fundamentalistas do metal), como tu vê essa política da plataforma que censura uma palavra, comum e usual na língua inglesa, mas que deixa passar obscenidades e fake news que destroem carreiras e vidas privadas?

Thiago Rocha:  É importante salientar que não somos a favor de confundir liberdade de expressão com libertinagem de opinião. Acredito também que há um limite. Mas sejamos justos: essa expressão não chega nem perto das barbaridades que assistimos todo dia nas timelines. É mais um tabu externo do que uma censura justa. Se formos analisar a quantidade de bandas, até mesmo fora do metal (essas divas) que usam de expressões muito piores, pode cancelar toda essa produção cultural do mainstream. 

E vale lembrar que eu nem estou falando dos funks que vão no extremo da baixaria, pois não vale nem o debate. Parece assim que tudo o que envolve o rock e, principalmente, o heavy metal parece sofrer um filtro mais denso. Bom, sempre fomos resistência. Quem quiser conferir o clipe... pelo menos não tiraram do ar.

Riffmakers: Quando alguém está a falar muita besteira, é comum o uso da expressão "teu cu!" no lugar de "para de falar asneiras!". Trocar o "bullshit" por "teu cu", poderia ser uma solução?

Thiago: No caso dessa substituição talvez eles nem entendessem a ideia. Só iam censurar pelo tabu da palavra cu. Existe um grande problema em falar determinadas palavras, embora sejam usadas diariamente por várias idades. Eu entendo a política dos caras de reduzir a falta de "educação", mas esse radicalismo é hipócrita e parece bem seletivo.

Riffmakers: Considera isso um ataque pelas costas (backstab), já que  não há um códex de palavras a serem evitadas? Corre-se o risco de tal cartilha ser criada?

Thiago: Hahaha, podemos entender que sim. Fazemos uma análise pesada das letras. Não imaginávamos que uma expressão dessa, em pleno século XXI, ainda pudesse prejudicar alguém. Acho que não corremos risco: A cartilha já está criada. Só não é aplicado a todos, o que me causa a indignação. 

Essa hipocrisia seletiva parece ter seu próprio "jeitinho" de resolver as coisas. Se esse codex fosse aplicado a todos, a nossa produção cultural do mainstream não estaria do nível que está.

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O impulsionamento do vídeo pela banda está restrito, mas as visualizações e compartilhamentos, não. Assista "Backstabber" acessando https://youtu.be/SuV5CnjPdFU

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Caso similar

Em 2019, a banda paraense veterana no hardcore Delinquentes passou por um caso parecido. Desta vez no Facebook. A banda foi impedida de anunciar o seu disco recém lançado "Infrctus Humanus" por conta da imagem conter "pessoas com um excesso de pele exposta".

Em 2020 a Delinquentes foi citada em um programa de rádio  (favorável ao atual governo Federal) de alcance nacional com comentários idiotas do tipo "não deixaria minha filha ver uma banda com esse nome". O programa em questão debatia o evento Facada Fest III, que o então super juíz S. Moro queria enquadrar na Lei de Segurança Nacional.

São coisas do tipo que me fazem pensar na força que o Brasil tem no metal mais extremo, no punk e no hardcore (apesar de muitos babacas reacionários infiltrados). A vida real gera temas mais impactantes para música e letra do que os contos de elfos e dragões. 


quinta-feira, 2 de julho de 2020

Projeto da amazonense Eutanase pretende unir músicos de outros Estados

*por Artur Mamede 

Idealizado pela banda amazonense Eutanase o projeto Interstate Metal, lancado nessa quinta-feira  (2) no YouTube, trouxe no video de inauguração a parceria remota entre Thiago Rocha (guitarrista da Eutanase) e Flávio Dourado, vocalista da roraimense Carnívoro. 

A faixa escolhida foi o clássico do death metal splattergore "Smashed Hammer Face" do Cannibal Corpse. A simplicidade do vídeo não conseguiu encobrir a capacidade técnica da dupla. Assim é o video. Um tocando e outro cantando, e fim de papo. Imagino que do jeito com que as coisas são consumidas atualmente, esse seja o caminho mais viável para se  manter a  audiência. 

Sobre a iniciativa e a experiência, Thiago falou ao Riffmakers. "Cara, a ideia é exatamente aproximar as bandas através das suas influências e assim servir de link para que outras pessoas busquem conhecer o nosso trabalho. Apesar do estilo das bandas ser diferente, sempre tem um ponto de conexão em comum", disse o músico.

Thiago também é consciente do alcance desse tipo de iniciativa, principalmente em tempos de isolamento social. "Acho que é um ambiente extremamente relevante para manter a conexão com o público. Há 20 anos seria um tédio terrível essa situação. Muita gente já teria surtado (Eu seria um, rs). A Eutanase está sempre buscando formas de conexão dentro dessas novas linguagens. Isso vem aproximado cada vez mais a gente de uma galera diferente e que além de levar o nosso trabalho, traz coisas novas também pra gente compartilhar".

Thiago ainda comenta sobre videos e as famigeradas lives. "Recentemente fomos estudar formas de executar uma Live com certa qualidade para o nosso estilo. Tem muito material na internet. Depois de levantado, resolvemos fazer uma experimental, porém com baixa expectativa. O alcance nos surpreendeu bastante. Chegou a 11 mil! É incrível os caminhos que esses recursos podem nos levar. O feedback foi sensacional". 

De acordo com o guitarrista, os próximos passos do projeto já foram dados. "O próximo Interstate Metal é bem provável que seja com uma galera de Porto Velho (RO). E já estou em contato com músicos de outras regiões. A ideia é continuar alimentando o projeto" finalizou. 
Para quem for de outra região, tiver material autoral e estiver a fim de participar, é só entrar em contato com o Thiago pelo número (92) 981159530.

Confira no link abaixo o resultado do primeiro episódio de Interstate Metal.

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